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Atualização semanal Última atualização 9/9/2010 14:29:08

Potencial para crescimento


São Paulo, SP - sexta-feira, 27 de março de 2009 - O Brasil reúne atualmente entre 5 e 6 milhões de empresas classificadas como pequenas ou médias, que estão distribuídas nos setores de comércio, indústria e serviços. O número é expressivo e, quando nos aprofundamos um pouco mais para compreender melhor como elas estão inseridas no contexto macroeconômico do País, surgem inúmeras surpresas. A primeira, e talvez a mais importante - considerando que o fantasma do desemprego tem assombrado muitas pessoas -, é que aproximadamente 60% dos trabalhadores com carteira assinada têm seus registros feitos por pequenas e médias empresas. Também impressiona positivamente o fato de que, juntas, elas respondem por aproximadamente 20% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Mais um dado. Enquanto o faturamento médio das grandes empresas avançou nos últimos anos modestos 6%, o das pequenas e médias cresceu 15%, mais que o dobro.

As informações acima evidenciam que esse é um segmento que não pode ser desprezado e, principalmente, demanda atenção cada vez maior do governo e de outros setores da economia. Alguns pessimistas podem argumentar que o índice de mortalidade entre as pequenas e médias empresas é alto, e aqui cabe destacar uma pesquisa divulgada alguns anos atrás pelo Sebrae (Serviço Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas). Nesse estudo, coordenado pelo Vox Populi, foi constatado que a taxa de sobrevivência das pequenas e médias companhias entre 2003 e 2005 atingiu 78%, ante 50,6% em anos anteriores, ou seja, tem aumentado de forma expressiva e consistente.

É inegável que a crise financeira internacional tem provocado muitos estragos, e um dos efeitos colaterais é a mudança de humor em muitas companhias, dos mais diferentes tamanhos. Mas, ao invés de se apoiar nos problemas e ficar lamentando os fatos - uma postura nada positiva e que não leva a lugar algum -, o momento requer uma dose ainda maior de senso de oportunidade, ousadia, criatividade e inovação, e eu sou partidário da crença de que as pequenas e médias empresas representam a principal ferramenta para manter a economia aquecida.

A indústria brasileira de cartões, que em 2008 foi responsável por mais de R$ 375 bilhões em transações, tem olhado esse segmento com bastante atenção e satisfação. Há 10 anos, o total de estabelecimentos comerciais que aceitava cartões era pouco superior a 550 mil, e hoje supera a marca de 1,4 milhão, uma das maiores redes do planeta. No mesmo período, o número de pequenos e médios lojistas que passou a trabalhar com cartões mais que dobrou de tamanho, e hoje eles respondem por 87% do total de estabelecimentos credenciados.

Se por um lado a rede de estabelecimentos credenciados no Brasil cresce graças à concordância de pequenos e médios empresários em aceitar o cartão como meio de pagamento, é o próprio cartão que garante a muitos lojistas a possibilidade de ampliação do volume de vendas. Isso ocorre porque como o plástico assegura ao seu portador crédito na hora e prazo para pagamento, muitos consumidores decidem a compra com base nesses fatores, além é claro de aspectos como segurança e agilidade.

Se para o portador do cartão existem benefícios, para o lojista não é diferente. Ao aceitar o plástico como meio de pagamento, ele se vê livre do risco da inadimplência, um dos maiores problemas do comércio. A explicação aí é que o risco do crédito é totalmente assumido pelo emissor do cartão. Ao aceitar um cartão o lojista também reduz a movimentação de papel-moeda no estabelecimento e tem melhor controle sobre o fluxo do caixa.

Nos últimos anos a relação entre o setor de cartões e as pequenas e médias empresas avançou de forma consistente e com qualidade, e um indicativo nesse sentido é o próprio Código de Ética e Auto-regulação da Abecs que entrou em vigor janeiro. Nesse código, que tem como objetivo funcionar como um guia de conduta e zelar pelas boas práticas comerciais, estão descritos procedimentos específicos na relação com os lojistas, e também com os portadores de cartões.

Mas a despeito da forte parceria entre as pequenas e médias empresas com o setor de cartões, é inquestionável que existe a possibilidade de melhoria e aprimoramento. Prova disso é que o potencial de pequenas e médias empresas com potencial para aceitar o cartão como meio de pagamento está em contínuo crescimento.

Como eu afirmei alguns parágrafos atrás, em tempos de crise é necessário ousar.

(Gazeta Mercantil / Relatorio Aldemir Bendine - Presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs)


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