As informações acima evidenciam que esse é um segmento que não pode ser desprezado e, principalmente, demanda atenção cada vez maior do governo e de outros setores da economia. Alguns pessimistas podem argumentar que o índice de mortalidade entre as pequenas e médias empresas é alto, e aqui cabe destacar uma pesquisa divulgada alguns anos atrás pelo Sebrae (Serviço Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas). Nesse estudo, coordenado pelo Vox Populi, foi constatado que a taxa de sobrevivência das pequenas e médias companhias entre 2003 e 2005 atingiu 78%, ante 50,6% em anos anteriores, ou seja, tem aumentado de forma expressiva e consistente.
É inegável que a crise financeira internacional tem provocado muitos estragos, e um dos efeitos colaterais é a mudança de humor em muitas companhias, dos mais diferentes tamanhos. Mas, ao invés de se apoiar nos problemas e ficar lamentando os fatos - uma postura nada positiva e que não leva a lugar algum -, o momento requer uma dose ainda maior de senso de oportunidade, ousadia, criatividade e inovação, e eu sou partidário da crença de que as pequenas e médias empresas representam a principal ferramenta para manter a economia aquecida.
A indústria brasileira de cartões, que em 2008 foi responsável por mais de R$ 375 bilhões em transações, tem olhado esse segmento com bastante atenção e satisfação. Há 10 anos, o total de estabelecimentos comerciais que aceitava cartões era pouco superior a 550 mil, e hoje supera a marca de 1,4 milhão, uma das maiores redes do planeta. No mesmo período, o número de pequenos e médios lojistas que passou a trabalhar com cartões mais que dobrou de tamanho, e hoje eles respondem por 87% do total de estabelecimentos credenciados.
Se por um lado a rede de estabelecimentos credenciados no Brasil cresce graças à concordância de pequenos e médios empresários em aceitar o cartão como meio de pagamento, é o próprio cartão que garante a muitos lojistas a possibilidade de ampliação do volume de vendas. Isso ocorre porque como o plástico assegura ao seu portador crédito na hora e prazo para pagamento, muitos consumidores decidem a compra com base nesses fatores, além é claro de aspectos como segurança e agilidade.
Se para o portador do cartão existem benefícios, para o lojista não é diferente. Ao aceitar o plástico como meio de pagamento, ele se vê livre do risco da inadimplência, um dos maiores problemas do comércio. A explicação aí é que o risco do crédito é totalmente assumido pelo emissor do cartão. Ao aceitar um cartão o lojista também reduz a movimentação de papel-moeda no estabelecimento e tem melhor controle sobre o fluxo do caixa.
Nos últimos anos a relação entre o setor de cartões e as pequenas e médias empresas avançou de forma consistente e com qualidade, e um indicativo nesse sentido é o próprio Código de Ética e Auto-regulação da Abecs que entrou em vigor janeiro. Nesse código, que tem como objetivo funcionar como um guia de conduta e zelar pelas boas práticas comerciais, estão descritos procedimentos específicos na relação com os lojistas, e também com os portadores de cartões.
Mas a despeito da forte parceria entre as pequenas e médias empresas com o setor de cartões, é inquestionável que existe a possibilidade de melhoria e aprimoramento. Prova disso é que o potencial de pequenas e médias empresas com potencial para aceitar o cartão como meio de pagamento está em contínuo crescimento.
Como eu afirmei alguns parágrafos atrás, em tempos de crise é necessário ousar.
(Gazeta Mercantil / Relatorio Aldemir Bendine - Presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs)