Aumenta o volume de cheques devolvidos
São Paulo, 22 de Janeiro de 2009 - Os juros altos e o aumento no nível de desemprego, efeito da crise financeira mundial, deverão elevar a inadimplência, particularmente com cheques, por todo o primeiro semestre deste ano, prevê Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa Experian. Especializada em análises e informações, a companhia divulgou ontem que o volume de cheques devolvidos no Brasil em 2008 foi o segundo maior desde que iniciou essas análises, em 1994. No ano passado, foram devolvidos 19,8 cheques sem fundos - na segunda devolução - a cada 1 mil compensados, comparativamente aos 20,7 de 2006, o recorde do Indicador Serasa Experian de Cheques sem Fundos. Em relação a 2007, com 19,5 cheques devolvidos a cada 1 mil compensados, houve crescimento de 1,5%.
Para Almeida, esses números refletem a pressão da crise no mercado brasileiro. "Com a redução na oferta de crédito, aumenta o volume de cheques pré-datados." O executivo explica também que, sazonalmente, a inadimplência cresce no primeiro trimestre, período de vencimento de alguns impostos anuais e de outras obrigações que pressionam os orçamentos familiares.
Mas, por conta do elevado quadro de demissões verificado no final do ano passado e pelas incertezas quanto a intensidade dos futuros impactos da crise no Brasil, é possível que a inadimplência avance durante todo o primeiro semestre, avalia. Os dados de dezembro são os principais sinalizadores.
No último mês de 2008, a inadimplência com cheques subiu 8%, com 20,2 devolvidos (2,48 milhões no total) a cada 1 mil compensados, ante 18,7 (2,3 milhões) de igual mês do ano anterior. No comparativo com novembro houve queda de 6,5% em dezembro. Contudo, novembro registrou uma das maiores altas, com 21,6 cheques devolvidos a cada 1 mil compensados. Foram 2,28 milhões de cheques devolvidos por falta de fundos no penúltimo mês de 2008, de um total de 105, 44 milhões compensados.
No total, foram compensados 1,4 bilhão de cheques em 2008, sendo que 27,65 milhões foram devolvidos por falta de fundos.
No ano anterior, foram 1,53 bilhão de cheques, com 29,93 milhões devolvidos. A queda no volume de compensação reflete a tendência, verificada nos últimos anos, de maior utilização de outros meios de pagamento, em especial, de cartões de débito e de crédito. Entretanto, essa queda não se repetiu em dezembro último, quando o volume de compensação se manteve estável ante igual mês de 2007, em 122,82 milhões de cheques.
Gazeta Mercantil - Iolanda Nascimento
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