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Atualização semanal Última atualização 9/9/2010 14:29:08

Com cautela, empresas retomam contratações

Segunda-feira foi o primeiro dia de Sérgio Ribeiro, 35 anos, como controller da Sagatiba, após dois anos exercendo a mesma função na Red Bull. A contratação do executivo ocorreu devido ao atual momento da empresa, que almeja crescer internacionalmente e, para tanto, precisa adotar padrões e processos que permitam esse avanço.

O choque que o mercado sofreu no início da crise é outro fato por trás da nova empreitada de Ribeiro na carreira. "Os profissionais da área de controladoria estão mais valorizados, pois evitam desperdícios financeiros", garante. "A Sagatiba se autofinancia e não tem problema de crédito, mas o que ela não quer é gastar demais", diz, explicando a decisão da empresa em contratar um profissional do ramos de bebidas e formação austera.

Com a crise, a preocupação geral do mercado, claro, é com a contenção de gastos. Para alguns ramos de atuação, como é o caso da controladoria, o momento é sinônimo de oportunidade. Desde setembro, Ribeiro já havia recebido quatro convites para sair da Red Bull. "A demanda por controllers está alta", diz o executivo, que começou sua carreira na Votorantim Celulose e Papel, onde foi especialista em demonstrações financeiras e participou da entrada da empresa na Bolsa de Nova York. De lá, ele foi para a Coca-cola, passou pela Kimberly Clark e, por fim, chegou à Red Bull. Na Sagatiba, poderá se tornar, até o final do ano, diretor-financeiro, dependendo dos resultados obtidos em 2009. "O desafio é por ordem na casa e fazer da companhia uma multinacional."

Segundo o responsável pelo escritório paulistano da consultoria de recrutamento de executivos Case Consulting, Paulo Brinholi, houve uma inegável freada no mercado de trabalho para gestores nos últimos meses do ano passado. Ele prefere não revelar a oscilação que a crise causou nos negócios de sua empresa, mas diz que, na sua percepção, houve um congelamento de que atingiu cerca de 25% das vagas no mercado como um todo. Mas apesar da redução, ele está otimista. "Por um bom tempo haverá falta de gestores qualificados. Há carência de profissionais muito especializados, como geólogos e experts em softwares de gestão."

Cautela e contratações

Segundo Brinholi, a Case Consulting, mesmo com a crise, continuou recebendo pedidos por profissionais, principalmente dos setores de mineração, óleo e gás e infra-estrutura. "O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) não foi afetado pela crise ainda. E como ele ainda acontece em diversas frentes, como rodovias, hidrelétricas e portos, continua havendo demanda por gestores nessas áreas", diz. Ele acrescenta que os negócios relacionados a cartões de crédito também tem apresentado oportunidades. Outro setor que demanda executivos, segundo o consultor, é o de bens de consumo. "Há uma procura significativa por parte de grande empresa do ramo por gerentes de marketing, de produtos e vendas."

Mas mesmo que em tais áreas a disputa pelos melhores profissionais continue, as companhias têm evitado os exageros que antecederam a crise. "Ninguém quer superdimensionar", diz Brinholi. Para ele, cautela é a palavra do momento. "O que tem ocorrido é uma introspeção das empresas para ver o que elas têm feito em termos de recursos humanos. É necessário olhar para a equipe e identificar quem pode ou não dar uma contribuição relevante nesse momento de incerteza", diz.

André Bocater, diretor comercial da Alpen, que também é especializada em recrutamento de executivos, sustenta a mesma opinião: "O momento é de reflexão. As empresa estão olhando para dentro e fazendo o dever de casa para só então partir para as demissões e contratações. É um momento de ajuste e busca pela eficiência", afirma.

Mas ao mesmo tempo em que as companhias mantêm a cautela, começam a voltar a atenção em direção aos melhores gestores disponíveis no mercado. "Já sentimos que elas voltaram a contratar. Mas há um diferencial agora: o poder de negociação está na mão das companhias. Por isso, elas estão focando muito na qualidade e na capacitação dos profissionais. A farra acabou. A qualificação voltou a ter grande peso ", alerta Bocater.

Momento de retomada

Segundo Magui Castro, sócia da CT Partners, consultoria especializada na seleção de executivos de nível sênior, o que está ocorrendo é a substituição de gestores que não estavam tendo a performance esperada por outros. "Agora, em janeiro, as vagas que estavam congeladas estão reaparecendo. As empresas não podem ficar sem certos executivos", diz. "Janeiro é um mês morto, mas esse ano começou com um movimento intenso, e em apenas 15 dias", diz.

Para ela, a turbulência econômica tem levado o mercado a buscar os melhores gestores disponíveis. "Há procura por pessoas boas na realização de projetos e que ponham a mão na massa", afirma. Serenidade também tem sido uma característica valorizada. As companhias tem visado líderes capazes de enxergar oportunidades quando todos estão confusos. "São executivos que conseguem acalmar a equipe e fazer as pessoas pensarem fora da caixa", diz. Outra característica desejada pelo mercado é a capacidade unir a equipe. "Além de entregar resultados, é preciso agregar todo mundo", orienta Magui. Porém, ela lembra que o momento não é de excesso de reflexão, mas de ação. "O mercado está buscando quem tenha energia para colocar o negócio para andar. Pessoas molengas não entram. É preciso tomar decisões rápidas", completa.

São Paulo, 20 de janeiro de 2009 - Gazeta Mercantil - João Paulo Freitas


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