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Indústria avança após 11 trimestres de queda

por Notícias às 11:06 de 04/05/2017 em Mercado de Cartões

Fonte: O GLOBO/RIO DE JANEIRO | Geral

Setor registra alta de 0,6% de janeiro a março, mas analistas ainda mostram cautela com desempenho anual.

INÍCIO DE RECUPERAÇÃO

Depois de 11 trimestres consecutivos de queda, a indústria saiu do vermelho no começo deste ano, com um crescimento de 0,6% de janeiro a março em comparação ao mesmo período de 2016, quando o setor registrou queda superior a 11%. Para analistas, o desempenho modesto indica que a indústria ainda está estagnada, mas em processo de transição para sair da crise que afeta o setor desde 2014. Fatores como a explosão do desemprego, baixa confiança do consumidor e índices elevados de capacidade ociosa e endividamento da indústria, somados à demora dos bancos a repassar a queda dos juros a empresários e consumidores, tornam comedidas as projeções para o desempenho do setor este ano. A indústria dificilmente amargará um quarto ano de resultado negativo e deve voltar a contribuir positivamente com o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, mas a alta, segundo estimativas de especialistas, não deve passar de 2,4% — muito aquém da perda acumulada entre 2014 e 2016, que foi de 17,9%.

— Estamos vivendo um período de estancamento da crise, não é recuperação ainda. Vamos andar de lado por mais tempo — afirma Rafael Cagnin, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

A indústria brasileira opera hoje no mesmo patamar de dezembro de 2008 e está 20,8% abaixo de seu pico de produção, registrado em junho de 2013, de acordo com o IBGE. André Macedo, gerente de Indústria do IBGE, ressalta a fragilidade do dado do primeiro trimestre:

— Esse resultado foi beneficiado por dois efeitos: calendário, pois este começo de ano tem dois dias úteis a mais do que em 2016, e efeito base, já que, no primeiro trimestre de 2016, o recuo foi de 11,4%. É um resultado ligeiramente positivo, pois estamos operando acima do nível de produção de 2016, mas está muito longe de representar recuperação.

Thiago Xavier, economista da Tendências Consultoria, aposta em uma alta de 2,4% da produção industrial este ano, considerando a trajetória de queda de juros estimulando investimentos e melhora da demanda interna, a inflação menor (a projeção é que encerre o ano abaixo da meta do Banco Central, de 4,5%), o bom desempenho da indústria extrativa e a produção de alimentos e veículos.

Em março, na comparação com o mês anterior, o resultado foi negativo, um recuo de 1,8%, o pior para o mês desde o início da série histórica, em 2002. Analistas esperavam uma retração de 0,9%, de acordo com a Bloomberg. No entanto, frente a março de 2016, houve avanço de 1,1%. Em 12 meses, a indústria ainda acumula queda, de 3,8%.

Para Leonardo Mello de Carvalho, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), preocupa o desemprego, que atingiu 14 milhões de trabalhadores no primeiro trimestre do ano:

— O setor parou de cair, ruas está estagnado desde fevereiro do ano passado, e começa a haver ansiedade sobre quando virá o crescimento. O mercado de trabalho só deve dar sinais de melhora no fim do ano, e precisamos que as reformas mantenham o bom andamento.

Após a divulgação do resultado do primeiro trimestre do ano, a Rosenberg Associados manteve a expectativa de crescimento de 2% da indústria em 2017. Menos otimista, o Bradesco projeta expansão de 1% na produção industrial. Em, nota, o banco ressaltou que a elevação do consumo das famílias, a partir do segundo semestre, e a redução da taxa de juros devem favorecer a retomada, este ano, da atividade industrial, "que conta atualmente com a capacidade instalada em níveis de ociosidade elevados em diversos setores"

CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO EM QUEDA

Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) referentes ao primeiro trimestre, divulgados ontem, também mostram um setor que ainda patina. Em relação ao mesmo período de 2016, há quedas significativas tanto dos índices de atividade como dos relacionados ao mercado de trabalho. O faturamento recuou 6,7%, o emprego caiu 4,4%, as horas trabalhadas encolheram 3,3%, o rendimento médio real perdeu 1,2%, e a utilização média da capacidade instalada teve retração de 0,7%.

Os índices de Confiança do Empresário Industrial, tanto a nível nacional como do Estado do Rio, medidos pela Firjan, também recuaram em abril. O do empresário fluminense já registra 37 meses seguidos de pessimismo, caindo a 47,5 pontos, depois de três meses seguidos de crescimento. Só se considera otimismo quando a leitura fica acima de 50 pontos. No indicador nacional, também houve queda frente ao mês anterior, mas ficou no campo do otimismo, aos 53,1 pontos.

Opinião -

À ESPERA

A SITUAÇÃO não é boa, mas já foi pior — concluiu-se diante dos dados do IBGE sobre a produção industrial no primeiro trimestre. Ela cresceu 0,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Não havia um resultado positivo, nesta época, desde 2014.

MAS, EM março, comparado com fevereiro, houve retração de 1,8%. Porém, a recessão industrial, em base anualizada, está cada vez menor (já foi 9,7%, está em 3,8%).

MAIS UM indicador de que a economia só espera por boas notícias do Congresso, como a aprovação da reforma da Previdência, para tornar mais fortes e consolidar os sinais de recuperação.