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Comércio eletrônico deve recuperar fôlego em 2017

por Notícias às 09:52 de 17/02/2017 em E-commerce (Pagamentos Online)

Fonte: Valor Econômico

O comércio on-line deve voltar a crescer dois dígitos neste ano, após 2016 encerrar como o pior ano da história do setor no país. De acordo com o relatório semestral "Webshoppers", realizado pela Ebit, empresa de pesquisas desse mercado, a previsão é atingir alta nas vendas brutas de 12% em 2017, para R$ 49,7 bilhões, frente a um aumento de 7,4% no ano passado.

Ao se descontar a inflação do setor, a expansão real foi de pouco menos de 2% no ano passado. Para efeito de comparação, entre as empresas que publicam dados anuais, a B2W (Americanas.com e Submarino.com) e Cnova (Casas Bahia, Extra.com, Ponto Frio) registravam vendas no país em queda até setembro. Se não "virarem" seus resultados no último trimestre, podem ter crescido menos que o mercado em 2016.

Em 2014 e 2015, as altas nominais foram bem maiores, de 24% e de 15%, respectivamente. Apesar de 2016 ter o menor índice de expansão desde o início da série histórica, em 2001, a Ebit entende o desempenho como positivo.

A Ebit considera, por exemplo, que o varejo de lojas físicas, com dados apurados pelo IBGE, fechou 2016 com retração de 6,3% em volume de vendas e em valor vendido (mesma base de comparação dos dados da Ebit), sendo a alta nominal de 4,5%. Portanto, o varejo on-line continua se expandindo mais que o varejo físico.

A companhia reforça que a estimativa de alta de 12% para este ano é considerada conservadora, mas a decisão foi manter uma análise mais " pé no chão" e rever a previsão, se for necessário, ao longo dos próximos meses, disse Pedro Guasti, presidente da Ebit.

Em termos de número de pedidos pela internet em 2016, não houve crescimento na comparação anual, mantendo-se em 106,3 milhões. Já o tíquete médio foi de R$ 388 para R$ 417, expansão de 8%, acima da inflação do setor (5,6% em 2016) o que indica que a alta não foi baseada apenas em recomposição da inflação de preços.

Para 2017, a estimativa da empresa é de um aumento, novamente, de 8% no tíquete e evolução de 4% no conjunto total de pedidos.

"O que sustentou em grande parte a taxa ainda positiva de crescimento na internet, apesar da recessão, foi a entrada de novos consumidores na base de compradores. Manteve-se a migração de clientes das lojas para os sites em 2016, e isso deve ajudar a manter a expansão neste ano também", disse Guasti.

O número de consumidores ativos (comprou uma vez no ano) subiu 22% no ano passado, para 47,9 milhões de pessoas, mesmo índice verificado em 2014 e acima de 2015, quando cresceu apenas 3%. Isso quer dizer que pouco mais da metade da população economicamente ativa no país, estimada em 90,5 milhões pelo IBGE, compra pela internet. Nos EUA, esse índice chega a 80%; na China, 60%, e na Argentina, 55%.

As vendas por meio de dispositivos móveis (tablets e smartphones) concentraram uma entre cada cinco compras em 2016. No ano anterior, era uma a cada dez.

Uma das principais mudanças no levantamento, verificada durante a crise, manteve-se em 2016. As classes C e D, com renda até R$ 3 mil, foram responsáveis por 36,9% dos pedidos em 2016, e os que recebem de R$ 3 mil a R$ 8 mil (B+), por 43,4%. A classe A respondeu por 19,7%. Houve uma inversão de posição no segundo semestre de 2015, época do aprofundamento da crise.

Até então, as classes C e D respondiam pela maior fatia total de pedidos, e em 2015 perderam essa posição para a classe B, que manteve a liderança em 2016. "A expectativa é que essa classe C e D não recupere a posição neste ano. Vai depender de uma melhora em indicadores de renda e emprego, que não devem ocorrer a curtíssimo prazo", diz Guasti.

As lojas continuam o movimento de redução da oferta de frete grátis, como defendem algumas varejistas. O percentual de ofertas com frete grátis atingiu 36% do total, o mais baixo índice da pesquisa (era 38% no terceiro trimestre).

Os cinco sites internacionais mais visitados no Brasil foram Alixpress (do Alibaba), Amazon, eBay, Dealextreme e Apple Store, nesta ordem, a mesma de 2015.