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Cheque especial, um dos créditos mais caros do país, tem novas regras

por Notícias às 09:28 de 10/07/2018 em Mercado de Cartões

Fonte: G1/NACIONAL

A tentação é grande. Às vezes, Mara nem se lembra que aquele dinheiro dando sopa ali é do banco e sai usando o cheque especial como se fosse parte do salário. “Quando salário cai na conta, ele não aparece R$ 3 mil, te dá saldo disponível de R$ 4 mil.

Já estão valendo as regras novas do cheque especial, um dos créditos mais caros do Brasil.

A tentação é grande.

Às vezes, Mara nem se lembra que aquele dinheiro dando sopa ali é do banco e sai usando o cheque especial como se fosse parte do salário. “Quando salário cai na conta, ele não aparece R$ 3 mil, te dá saldo disponível de R$ 4 mil. O que você faz? Tenho R$ 4 mil”, diz a administradora Mara Gabriela Vieira.

O perigo é quando vira uma bola de neve. O cheque especial está entre as taxas de juros mais pesadas do sistema financeiro, mais de 300% ao ano segundo o Banco Central. “Eu fui tirando, tirando, tirando o meu limite do cheque especial. E fiquei atrasada com as contas, água, luz, telefone”, disse a aposentada Marlene Ramos Lisboa.

Os bancos estão oferecendo medidas de socorro específicas para quem se endividou no cheque especial, entre elas, o parcelamento do saldo devedor. A ideia é permitir a transferência da dívida para linhas de crédito com juros menores, para facilitar a quitação do débito.

Pelas novas regras, os bancos se obrigam a alertar o correntista assim que ele entrar no cheque especial; oferecer opção de crédito mais barato para quem usar mais de 15% do limite por mais de 30 dias; se o cliente não concordar, o banco precisa fazer novas tentativas a cada 30 dias; o limite do cheque especial tem que ser informado de forma clara e separada no extrato bancário, para que o correntista não confunda com o dinheiro que realmente tem na conta corrente.

O Procon recomenda que o cheque especial seja, sempre, a última saída. “É um valor irreal porque o cheque especial é um dinheiro que não pertence a ele, é um dinheiro que é emprestado pela instituição financeira. É importante que o consumidor conheça essas regras, quais são os juros que serão aplicados para o consumidor nessa nova negociação para que ele possa se planejar, evitando inclusive voltar a utilizar o cheque especial com frequência. E, com certeza, se isso acontecer de novo, os juros que são altos voltarão a incidir sobre o negócio ”, explicou Marcelo Barbosa, coordenador do Procon da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

“Esse valor que eu pago exclusivamente em juros por não ter esse controle de não utilizar o cheque especial, ele poderia ser investimento, poderia ser um consórcio, ele poderia ser apenas um dinheiro que eu guardei na poupança para emergência, exatamente para não usar o cheque especial. E, na verdade, eu simplesmente pago”, disse a Mara.